Sexta-Feira, 18 de Maio de 2012.
 
"Quem sabe impor a sua vontade a si mesmo, está apto a organizar sua vida hoje e amanhã." LJC *

Administração de Empresas

Empresa - uma escola autosuficiente

O ambiente social vem se alterando drasticamente nas últimas décadas. Como parte destas mudanças vemos as evoluções da tecnologia e a crescente demanda da comunidade global por produtividade. Estes movimentos determinam a redução gradativa do número de posições de trabalho remunerado na condição de empregado, ao mesmo tempo em que a atividade braçal perde valor e a contribuição do conhecimento ganha espaço definitivo como meio de sobrevivência das organizações.

Neste cenário muitas pessoas migraram da condição de empregado para a condição de empregador ou de trabalhador autônomo, e a remuneração dos seus serviços é tanto maior quanto maior for o grau de conhecimento e especialidade envolvidos. Por exemplo: em uma mesma região a atividade braçal é remunerada a R$50,00 (cinqüenta reais) por dia de trabalho, enquanto que as atividades baseadas em conhecimento podem ser remuneradas pelo mesmo valor ou até maior a cada hora de trabalho.

Também como parte da alteração do contexto social observa-se a população mais concentrada em centros urbanos, e dedicando uma parcela significativa do seu tempo trabalhando em organizações. Nelas desenvolve atividades que lhes proporciona intenso aprendizado em diferentes áreas do saber, como relacionamento interpessoal, administração de problemas, planejamento, conhecimentos de informática, expressão verbal e escrita, cultura e comportamento organizacional, qualidade, além de habilidades especialistas ligadas à sua atividade, como marketing, publicidade, contabilidade, finanças, processos industriais, química, tecnologia, engenharia, entre outras. Estes aprendizados são cada vez mais necessários nesse ambiente onde a demanda pela contribuição individual e pela autonomia cresce continuamente. Sem eles o indivíduo volta a classificar-se como trabalhador braçal.

Ainda com o referencial da sustentabilidade, cabe lembrar que para uma organização existir deve conseguir sustentar-se, o que não é diferente quando se trata de uma escola. Para que uma pessoa possa ter acesso a conhecimentos específicos, como os citados anteriormente, precisará na grande maioria dos casos, pagar por eles. Isso pode ser observado através da multiplicação de organizações de ensino com focos diversos: cursos de graduação, pós-graduações, cursos especialistas de curta duração, entre outros.

Considerando as inúmeras situações de aprendizado existentes nas organizações, estas podem ser vistas como escolas auto-sustentadas por seus produtos e serviços, afinal seus colaboradores aprendem sem que precisem investir em taxas, mensalidades ou livros e apostilas. Ao mesmo tempo, diante das necessidades de atualização e utilidade, a própria organização se recicla continuamente, o que acaba aprimorando todo o ambiente de aprendizado disponível aos seus colaboradores.

Entretanto, este intenso, cotidiano e necessário processo de instrução nem sempre é percebido e valorizado por empregados e empregadores.

Considerando que a sustentabilidade do indivíduo e, por conseguinte da sociedade, dependem cada vez mais do seu conhecimento e de sua iniciativa na busca deste, o desenvolvimento da pessoa é também uma iniciativa de responsabilidade social, e que também proporciona ganhos à organização que o promove.

Ao valorizarem mais as oportunidades de aprendizado inerentes às atividades profissionais, tanto as organizações quanto os seus colaboradores poderão incrementar sua produtividade, correspondendo assim de forma mais eficaz às demandas do meio e mantendo-se úteis, fator este que é essencial para a sustentabilidade tanto de indivíduos quanto de organizações.

O colaborador deve, portanto, entender que todas as vivências nas atividades que desenvolve contribuirão para o seu preparo e conseqüente utilidade e segurança no presente e no futuro. Por outro lado, o empregador deve, além de instituir programas estruturados de desenvolvimento para todos os níveis hierárquicos, estabelecer mecanismos de comunicação que informem e sensibilizem os colaboradores sobre a importância de aproveitar todos os aprendizados disponíveis no dia-a-dia.


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